Categoria | Teologia

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Maria, a mãe do Senhor

Maria na providência divina e no testemunho bíblico

Seakle Greijdanus | Doutor
15/10/2025

A honra elevada de Maria como mãe do Senhor

Inspirada pelo Espírito Santo, Isabel a chamou de mãe do meu Senhor, conforme atesta Lucas 1.41-43.

Ao acolhermos e reconhecermos o Senhor com fé também como nosso Senhor, podemos e devemos, portanto, honrar Maria como mãe de nosso Senhor, a mãe do Senhor.

Nenhuma mulher recebeu de Deus honra mais elevada.

O anjo Gabriel, portanto, a saudou como “muito favorecida” (Lucas 1.28), e Isabel, impulsionada pelo Espírito, disse a ela: “bendita és tu entre as mulheres” (Lucas 1.42), ou seja, acima de todas as mulheres.

Fica claro, portanto, que o próprio Deus, por meio de Seu anjo Gabriel e de Isabel, cheia de Seu Espírito, nos revela a grandeza de Maria e a apresenta como aquela que Ele graciosamente exaltou acima de todas as mulheres, como mãe do Senhor.

A graça de Maria: alta, mas não a mais rica

Contudo, não devemos nos enganar ao apreciar esta elevada graça de Maria.

Essa graça foi, de fato, alta, mas ainda não a mais alta e rica, conforme registrado em Lucas 11.27-28; cf. Marcos 3.32-35.

Maria recebeu de Deus uma graça ainda mais gloriosa do que a de ter podido se tornar a mãe do Senhor.

Maria, afinal, era em si mesma uma pecadora.

Incluindo-a também, o Salmista de fato diz: “Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Salmos 14.2-3).

Também para ela valia o que o Senhor dissera a Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3.6). Assim como todos os demais seres humanos, Maria também transgrediu o mandamento de Deus em Adão e nele caiu (Romanos 5.12), e por isso nasceu impura (Jó 14.4). E por isso também foi verdadeira para ela a palavra do Senhor em Jeremias 13.23: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal.”

Maria e a repreensão do Senhor

Na Sagrada Escritura, é-nos explicitamente comunicado que Maria foi repreendida pelo Senhor porque agiu de forma incorreta.

Aparentemente, ela acreditava ter o direito, como mãe do Senhor, de intervir no exercício de Seu ministério messiânico e dar-Lhe instruções sobre Suas ações e conduta. Ela Lhe disse nas bodas de Caná: “Eles não têm mais vinho” (João 2.3).

Contudo, o Senhor Lhe fez saber que ela excedia Seus direitos. Ele então se dirigiu a ela não como “mãe”, mas como “mulher”. Naquilo que ela se permitiu então, ela não era Sua mãe, mas apenas uma mulher, como todas as outras mulheres, e não Lhe cabia, assim como a nenhuma das outras mulheres, dar-Lhe ordens. Por isso, o Senhor acrescentou: “Mulher, que tenho eu contigo?” Isto é, no que diz respeito ao Meu serviço ministerial, não há uma relação entre nós de mãe e Filho, de autoridade e dever de obediência, mas estou diretamente sob as ordens e instruções de Meu Pai celestial: Minha hora ainda não chegou (João 2.4).

E mais tarde, Maria aparentemente também pensou que Ele estava fora de Si (Marcos 3.21), espiritualmente exausto, não se importando consigo mesmo, a quem ela queria tirar de Sua obra e levar para casa para suposta calma e cura, e por isso O mandou chamar (Marcos 3.31).

O Senhor, porém, também a rejeitou então. “Quem é minha mãe e meus irmãos?”, perguntou Ele. E, olhando para os que estavam sentados ao redor dEle, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos.” E para esclarecer, Ele continuou: “Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Marcos 3.32-35).

Maria, portanto, era em si mesma uma pecadora, cuja culpa precisava ser expiada e cujo coração e vida necessitavam ser purificados, para que ela pudesse subsistir diante de Deus no juízo (Salmos 130.3), e ser salva eternamente.

Se Maria, portanto, não tivesse recebido de Deus uma graça mais alta e rica do que apenas a de ter podido se tornar a mãe do Senhor, ela, apesar disso, assim como tantos outros seres humanos que não alcançam a remoção de sua culpa e pecado pelo sangue e Espírito de Cristo, ainda pereceria eternamente por causa de sua queda em Adão, e por causa de seu pecado, culpa e impureza.

Pois ser mãe do Senhor é, em si mesmo, apenas uma questão carnal, e denota apenas um vínculo carnal. E assim como não há nenhum mérito no fato de os judeus descenderem segundo a carne, de Abraão e, segundo a carne, estarem mais próximos do Senhor do que nós, que temos com Ele apenas laços carnais em Adão, tampouco há mérito para Maria no fato de o Senhor ter querido assumir dela a carne e o sangue de Sua natureza humana.

A graça suprema da redenção em Cristo

Foi pura graça de Deus para ela que Ele quisesse que Seu Filho nascesse dela, assim como é graça de Deus para os judeus que eles possam descender segundo a carne, de Abraão. Contudo, esse vínculo com o Senhor é apenas carnal, também em Maria; e, por si só, sem que Maria tivesse recebido de Deus uma graça ainda mais rica e gloriosa, e sem que ela estivesse ligada ao Senhor, de quem teve o privilégio de ser mãe, por um vínculo totalmente diferente, a saber, o vínculo da fé, o vínculo da renovação pelo Espírito Santo, não poderia tê-la salvo para a eternidade.

Os judeus não são salvos meramente por serem descendência carnal de Abraão (Mateus 3.9; João 8.37a, 39b), e muitos se perderão, embora tenham comido e bebido com o Senhor (Lucas 13.26-27). Apenas um vínculo carnal com o Senhor como Sua mãe, portanto, não teria sido suficiente para libertar Maria da culpa e do castigo, do pecado e da perdição. Não é o fato de ter tido o privilégio de ser a mãe do Senhor que é a mais alta e rica graça de Deus para ela, mas sim o fato de que, no Senhor, seu Filho, ela também pôde receber de Deus seu Fiador e Mediador, Salvador e Libertador, seu Redentor, esta é a mais alta misericórdia e a mais gloriosa graça concedida a Maria por Deus.

E nisso ela se iguala a muitos outros, e muitos outros a ela se igualam.

Nessa graça mais alta, rica e gloriosa, ela não esteve acima dos outros, e os outros não estão abaixo dela.

Nisso há, antes, perfeita igualdade.

Então, dos lábios de todos os redimidos, tanto de Maria quanto dos outros comprados do Cordeiro, eleva-se o alegre cântico de agradecimento ao Senhor: “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Apocalipse 1.5-6). “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Apocalipse 5.12).

Maria recebeu a bênção mais excelente de Deus pelo fato de que também ela, no Filho de Deus, nascido dela segundo Sua natureza humana, teve o privilégio de obter o Redentor e Propiciador de seus pecados, seu Salvador e Remidor; e, por meio de Seu Espírito, a vida dEle, a fé nEle, e a plena purificação e libertação por meio dEle.

A preparação divina para a maternidade de Maria

Por outro lado, considerar tudo isso não deve nos levar a uma desvalorização da graça de Deus para Maria, a saber, que ela teve o privilégio de se tornar a mãe do Senhor.

Pois ela, e somente ela, é essa agraciada.

E ela, e nenhuma outra, é a bendita entre as mulheres. Deus determinou e guiou toda a sua existência e vida para que ela se tornasse a mãe de Seu Filho.

Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho (Gálatas 4.4).

Se Maria tivesse nascido algumas décadas antes, ou depois do momento em que Deus a trouxe à luz, ela não teria podido participar dessa alta graça de se tornar a mãe do Senhor. E tampouco, se ela tivesse brotado de pais gentios, ou de pais judeus, mas fora da Palestina. Deus determinou e traçou sua linhagem de nascimento, desde Adão, por Sem, Abraão, Jacó, Davi, até o momento de seu nascimento. Linhagem, lugar e tempo de nascimento, circunstâncias, relações, tudo Deus estabeleceu e regulou para ela, e tudo isso com o objetivo de que ela se tornasse a mãe de Seu Filho unigênito.

E Ele guiou sua vida passo a passo e de momento a momento, com esse propósito. Pois ela precisava ser preparada e obter a aptidão para que Seu Filho pudesse assumir a natureza humana dela por meio da obra do Espírito Santo. Assim, Ele não a perdeu de vista durante todos esses séculos, mas sempre manteve Seu olhar fixo nela, e a guiou e dispôs tudo sobre e para ela, nos mínimos detalhes, para que ela pudesse se tornar a mãe de Seu Filho.

Se podemos falar de providentia specialissima (providência especialíssima), esta certamente agiu em relação a Maria.

Deus, de fato, não escolheu Maria como mãe de Seu Filho somente depois que ela já havia nascido e crescido, mas a designou para isso desde a eternidade, e por isso também, desde a criação do homem, fez crescer a árvore genealógica de Maria, da qual sua existência e sua constituição deveriam ser formadas, para que, naquele momento específico, na plenitude dos tempos, ela fosse tal que o Espírito Santo pudesse conceber nela o Filho de Deus e preparar para Ele o corpo dela.

Também de Maria, e, sobretudo, de Maria, vale o que o Salmo 139 canta: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (v. 16).1

A descendência davídica de Maria

Tem-se contestado que Maria fosse descendente de Davi, e geralmente se afirma que o Senhor foi chamado Filho de Davi por Sua ligação com José, que era legalmente considerado Seu pai. Pode-se supor que as pessoas, que não conheciam as circunstâncias de Seu nascimento, por isso O abordaram e saudaram como Filho de Davi. Mas se este fosse o único vínculo do Senhor com Davi, Ele, de fato, não seria filho de Davi. E a forte declaração de Pedro na Festa de Pentecostes a respeito de Davi em Atos 2.30: “Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono”,2 então isso realmente não se aplicaria ao Senhor Cristo, como Pedro claramente o apresenta.

Isto, contudo, é difícil de aceitar. E também se mostra incorreto a partir da palavra do anjo a Maria (Lucas 1.32), e pelo cântico de Zacarias (Lucas 1.69). De fato, o anjo diz a Maria que Deus dará ao Filho que ela ainda conceberia “o trono de Davi, seu pai”, e Zacarias canta, por ocasião do nascimento de seu filho João, mas com a gravidez de Maria em mente, sobre “um chifre de salvação que Deus levantou na Casa de Davi, seu servo”. E Maria, aparentemente, não se admirou com essa menção de “Davi, seu pai”, nem Zacarias achou estranho cantar sobre “na casa de Davi” em relação ao ainda não nascido Filho de Maria.

Se Maria, contudo, não fosse uma descendente de Davi — isto é, descendente segundo a carne, nascida da própria linhagem de Davi,3 como então ela teria podido entender tal declaração do anjo, com a qual, aparentemente, não teve dificuldade alguma? Pois ela não fala uma palavra sobre isso. Quando o anjo disse aquilo, ela estava, de fato, desposada com José, mas ainda não casada. Ela também não sabia de antemão se José, ao perceber sua gravidez, não romperia o vínculo com ela. Além disso, ela explicitamente desconsidera a comunhão com José, conforme sua declaração: “visto que não conheço homem algum” (Lucas 1.34). Ela, portanto, exclui a comunhão com José, e mesmo não apenas com ele, mas também com qualquer outro homem.

O anjo disse, ademais, que seu Filho seria concebido pelo Espírito Santo. Como ela poderia então entender que de seu Filho foi dito que Ele receberia o trono de seu pai Davi, a menos que ela mesma descendesse de Davi? Neste último caso, Davi seria, quer José rompesse o vínculo com ela ou não, e quando ela concebesse um filho sem comunhão com um homem, em qualquer caso, antepassado de seu Filho, e ela poderia entender a palavra do anjo a esse respeito sem necessitar de maiores explicações. E da mesma forma se pode raciocinar em relação a Zacarias.

A grande fé de Maria em meio ao desprezo

Maria recebeu uma graça muito elevada, sim, a mais alta de Deus acima de todas as outras mulheres, de ter tido o privilégio de se tornar mãe do Senhor. Contudo, não devemos ignorar que ela teve de exercer grande fé nisso. Pois ela precisou renunciar e sacrificar seu nome e sua honra entre os homens por essa alta bênção, e isso até mesmo entre aqueles que a amavam e a estimavam, e a quem estava ligada por laços de amor: José, seus pais e parentes, amigos e conhecidos.

Naturalmente, ela não podia comunicar a ninguém o que o anjo Gabriel lhe havia falado. Quem acreditaria nela? Conforme Mateus 1.18ss., ela, portanto, não conversou sobre isso com José. Vergonha e profundo desprezo, senão algo pior, se apresentavam a ela (Deuteronômio 22.23-24). Como ela deveria proceder, o que a esperava do lado humano?

Maria, com seu espírito terno, humilde e piedoso, imediatamente percebeu tudo isso em certa medida, como transparece de suas palavras, nas quais ela se entregou e se submeteu: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1.38). Este não é um grito de alegria de alguém agradavelmente surpreendido, mas a humilde declaração de uma submissão crente e entregue.

Maria não só precisava crer que aquilo de maravilhoso e grande que o anjo lhe havia anunciado e prometido lhe seria dado, mas também precisava confiar que o Senhor lhe abriria caminho em meio à escuridão e à infâmia que ela enfrentava. E ela creu. “Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor”, exclama Isabel aos seus ouvidos (Lucas 1.45). Mas Maria não sabia de antemão como o Senhor abriria seu caminho através da temida desonra e rejeição. Ela precisava apenas crer que o Senhor cuidaria dela.

E, de fato, Ele o fez por ela e abriu-lhe o caminho. Ele informou José por meio de uma aparição angelical em um sonho (Mateus 1.20), e Ele providenciou que ela tivesse de ir de Nazaré para Belém, onde as pessoas não a conheciam, e, pelo menos, nada sabiam sobre suas circunstâncias anteriores e especiais. Contudo, angústia, vergonha e desonra não a pouparam. José chegou a querer romper o vínculo com ela (Mateus 1.19). E o que seus parentes e conhecidos, os habitantes de Nazaré, teriam dito, pensado e feito a respeito dela?

Maria, por sua elevada graça, teve de aceitar e suportar desprezo e sofrimento. Mesmo agora, a desonra ainda recai sobre ela pela calúnia judaica de união extraconjugal. Ela foi altamente exaltada por Deus e ricamente abençoada acima de todas as outras mulheres. Mas, apesar e por causa disso, ela também sofreu condenação, desprezo e opressão. Ela os pressentiu, se não os previu com clareza. Contudo, ela aceitou e suportou isso em confiança no Senhor e por Sua causa, em obediência. E Deus exaltou sua honra, embora não imediatamente, e embora sua plena justificação, nesse aspecto, ainda aguarde o último dia.

O encontro com Isabel e o Magnificat

À sua humilde pergunta sobre como aquilo que o anjo lhe anunciara poderia acontecer (Lucas 1.34), ela recebeu a comunicação de que o Espírito Santo viria sobre ela e a cobriria com Sua sombra, e que, por isso, seu Filho seria conhecido como Filho do Altíssimo (Lucas 1.35). Essa pergunta dela não foi uma pergunta de incredulidade como a de Zacarias (Lucas 1.18), pela qual ela teria expressado dúvida sobre o cumprimento da promessa do anjo. Por isso, ela também não foi punida de forma alguma, como Zacarias o foi.

Mas, na fala de Gabriel, ela havia, de alguma forma, também ouvido a comunicação de que conceberia um filho sem comunhão com um homem. E, para obter esclarecimento, ela perguntou então como isso poderia ser: “Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? (Lucas 1.34).

E foi precisamente a essa pergunta que o anjo respondeu, e sobre isso ele lhe deu revelação divina. Essa comunicação deve ter soado maravilhosa novamente em seus ouvidos, mas, sem mais perguntas, ela aceitou tudo com fé e submeteu-se a serviço de Deus: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1.38).

O convite para ir ao encontro de Isabel (Lucas 1.36), ela compreendeu e seguiu (Lucas 1.39-40). Assim, ela foi poupada de conversas e situações difíceis em Nazaré, e pôde livremente derramar seu coração a uma parente mais velha, que igualmente havia sido maravilhosamente agraciada por Deus, e que, ademais, foi especialmente iluminada pelo Espírito de Deus sobre ela e sua condição no exato momento do encontro, de modo que Isabel, imediatamente, com alegria e gratidão, sem qualquer inveja, reconheceu Maria como a mais ricamente agraciada, como a mãe de seu Senhor (Lucas 1.41-45).

Em voz alta, ela exclamou, surpresa e admirada: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1.42-43). Ela disse, então, o que havia experimentado em seu próprio filho ainda não nascido com a chegada e saudação de Maria (Lucas 1.44), para terminar com a declaração: “Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor” (Lucas 1.45).

Essa experiência e palavras, tão evidentemente de origem superior, divina, fizeram bem a Maria e a fortaleceram em sua fé, de modo que ela irrompeu em grande júbilo por Deus, seu Redentor e Salvador, e, louvando, indicou e expôs a obra de salvação que Ele havia começado a realizar, e que era e seria tão grande, maravilhosa e perfeita (Lucas 1.46-55).

Ela o sabia e expressou: “Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada” (Lucas 1.48). Ela não disse que todas as gerações a adorariam ou reverenciariam. “Bendizer” é algo diferente de glorificar ou adorar. A própria Maria louvou o Senhor e exaltou Seus atos de misericórdia, pelos quais Ele redime e exalta aqueles que O temem, mas derruba na miséria aqueles que se levantam contra Ele.

Ela não se vangloriou, mas engrandeceu o Senhor. Confessou sua própria insignificância e chamou a Deus de seu Redentor e Salvador. Falou pouco de si mesma, e isso ainda para destacar a grandeza e a graça de Deus, mas, para o louvor das disposições de salvação e dos atos redentores de Deus, encontrava repetidamente novas palavras, expressões e material. Não ela mesma, mas Deus e Sua obra de salvação, era o centro de seu cântico de louvor.

Apressamento e sofrimento em Nazaré

Por mais que Maria tivesse sido fortalecida em sua fé por Isabel, e tivesse desfrutado de alguns meses de paz e alegria ininterruptas em Deus, sua desonra e a opressão vinda dos homens não foram removidas nem impedidas por isso. Precisamente então o mais difícil veio para ela nesse aspecto. Pois em seu retorno a Nazaré, sua gravidez veio à luz, e com ela a suspeita. O que mais se poderia supor senão que ela havia se comportado de forma infiel durante esses meses no estrangeiro, e que uma pessoa totalmente diferente se revelara do que sempre se pensara dela?

E ela não podia dizer nada.

Ela não podia confessar culpa, pois não era culpada. Mas isso lhe dava a aparência de teimosa, que não queria se arrepender.

E ela não podia comunicar o que lhe havia acontecido, que um anjo de Deus lhe havia falado e que ela traria o Messias ao mundo por obra do Espírito Santo. Pois quem acreditaria nela, e quem não a olharia então com olhos ainda mais estranhos?

Assim, ela teve de viver então solitária no meio de todos, fortalecendo-se em Deus, mas não compreendida por ninguém ao seu redor e por todos condenada.

A viagem a Belém e o nascimento na manjedoura

E isso durou até que Deus, por meio de Seu anjo em sonho, deu a José conhecimento de Sua obra e graça para com Maria, que então, certamente, casou-se com ela logo em seguida, para depois viajar com ela para Belém (Mateus 1.18ss; Lucas 2.4ss).

Essa viagem para Belém e a estadia lá. foram para Maria, de fato, provação e fadiga, mas também proteção. Com isso, ela foi libertada das palavras, olhares e ações de seus parentes e conhecidos em Nazaré, a fim de esperar em Belém, desconhecida e em silêncio, o que Deus faria por ela e com ela.

Mas o sofrimento também permaneceu para ela então.

Pobreza e privação eram a parte de Maria e José lá, sem dúvida, também por causa da criança que nasceria dela. Um lugar adequado para hospedagem não lhes foi concedido. A própria Maria teve de envolver seu filho recém-nascido em panos. Ajuda de outras mulheres, aparentemente, não lhe foi oferecida. E ela teve de deitar seu Filho em um cocho de alimentação para animais, em uma manjedoura. Rejeição e pobreza extrema foram o destino deles.

Sobre tudo isso, depois, uma glória divina veio a iluminar-se pela aparição de um anjo aos pastores e por sua palavra, e pelo exército celestial com seu glorioso cântico, e pelo relato dessa aparição angelical, dessa mensagem angelical e desse cântico angelical pelos pastores a Maria e José (Lucas 2.8-20), e, mais tarde ainda, pela vinda dos magos do Oriente com sua adoração e presentes (Mateus 2.1-12).

Contudo, embora a desonra fosse em grande parte removida e a pressão aliviada, permaneceram a humilhação e a miséria em que Maria e José com seu Filho tiveram de viver. E logo se seguiu a fuga apressada para o Egito e a estadia em terra estrangeira. Quando o retorno para Canaã foi possível, não puderam estabelecer-se em Belém, mas tiveram de retornar para Nazaré, onde certamente se recordavam bem de tudo de alguns anos antes (Mateus 2.13-23).

De Nazaré, um israelita, em quem, segundo o próprio testemunho do Senhor, não havia engano (João 1.47), perguntou: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (João 1.46).4

O significado do kataluma

Maria, a favorecida, a bendita entre as mulheres, a mãe do Senhor, com José e seu Filho, o Verbo encarnado, o Filho de Deus que havia assumido nossa natureza humana, teve de permanecer em Belém em um estábulo de animais e deitar seu Primogênito em um cocho para animais, em uma manjedoura (Lucas 2.7).

De fato, tem-se contestado que deveríamos pensar aqui em um estábulo, e também se tem tentado explicar a menção de uma manjedoura de outra forma. Mas isso é incorreto, quando lemos e interpretamos o que Lucas escreve. Lucas fala de um kataluma.5 Também se fala disso em Lucas 22.11 (compare com Marcos 14.14), quando se refere à sala onde o Senhor mandou preparar Sua última Páscoa, e onde Ele instituiu Sua Ceia. E o verbo do qual essa palavra é derivada encontramos em Lucas 19.7, onde é traduzido por “hospedar”.

Pode, conforme Lucas 22.11, indicar um aposento muito excelente. E assim pode surgir uma diferença de opinião sobre o tipo de aposento em que devemos pensar em Lucas 2.7. Mas essa disputa deveria ser considerada bastante inútil, porque Lucas justamente diz que não havia lugar para José, Maria e seu Filho neste kataluma, nesse aposento. Eles, portanto, não puderam hospedar-se lá. Por mais excelente que este kataluma pudesse ter sido, isso não vem ao caso, porque Maria com José e o Senhor justamente não conseguiram lugar nele.

Isso foi contestado, sob o argumento de que José e Maria se hospedaram nesse kataluma. E, em relação ao Senhor, raciocina-se de forma diferente. Mas Lucas escreve claramente: “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (kataluma). Ele não diz: “embora” ou “porque não havia lugar para Ele”. Nem: “apesar de” ou “porque não havia outro lugar para Ele”. Ele fala deles. Nesse aspecto, José e Maria estavam na mesma situação que seu Filho, e o Filho como seus pais: não havia lugar para eles; não apenas para Ele, mas também para José e Maria, para eles juntos.

E sobre qualquer distinção entre José e Maria, de um lado, e o Senhor, de outro, como se eles tivessem estado neste kataluma, mas Ele em outro lugar, ou que Ele tivesse sido colocado em uma manjedoura pendurada no telhado ou no sótão, usada como berço, porque não havia lugar para ela no chão, nada disso se lê aqui em Lucas 2.7.

Pelo contrário, simplesmente diz que não havia lugar para eles, os três, neste kataluma. E assim, eles não tiveram sua estadia lá, nem eles, nem Ele, mas fora dali. E onde então? Isso é indicado pela menção de uma manjedoura, e por esta contraposição: “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (kataluma).

Uma manjedoura é um cocho ou comedouro para animais. A palavra usada aqui também aparece em Lucas 13.15. E na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) a encontramos, por exemplo, em Provérbios 14.4. Agora, tal cocho para animais pode ser móvel. Contudo, não devemos pensar nisso aqui, porque isso não daria uma explicação para o que Lucas, entretanto, apresenta como explicação: “porque não havia lugar para eles”. Lucas deveria ter escrito algo como: “e ela O deitou em uma manjedoru, e eles a colocaram em outro lugar, porque para ela (ou: Ele) não havia mais lugar, ou: nenhum outro lugar, na hospedaria (kataluma)”. Teria, portanto, que ter sido escrito algo totalmente diferente do que está escrito.

Ao escrever: “e o deitou numa manjedoura”, Lucas diz: José, Maria e seu Filho permaneceram em um estábulo de animais, em um aposento com um cocho para animais. E, para esclarecimento, ele então acrescenta: em tal estábulo eles tiveram de permanecer, porque não havia um aposento melhor disponível para eles; no kataluma não havia lugar para eles, nem espaço, e por isso tiveram de se contentar e se virar em um estábulo de animais, cujo cocho, feito no chão ou também na parede, foi dado por Maria ao seu Filho, o Senhor do céu e da terra, como berço.

A maternidade de Maria: primogênito e outros filhos

Lucas também escreve: “e ela deu à luz o seu filho primogênito” (Lucas 2.7). Assim, ele coloca certa ênfase neste “primogênito”. Com João, que era um primogênito e, além disso, um unigênito, ele não usa o termo “primogênito”. E com o jovem de Naim, ele usa a palavra “filho único” (Lucas 7.12). Da mesma forma com a filhinha de Jairo (Lucas 8.42), e com o menino possesso, que o Senhor libertou e curou (Lucas 9.38). Veja também a respeito de Isaque em Hebreus 11.17.6

Por que Lucas, então, em 2.7, não teria escrito “unigênito”, mas sim “primogênito”, e ainda com alguma ênfase, se Maria tivesse sido mãe apenas do Senhor? O que Lucas expressa assim dá a entender que, mais tarde, outros filhos nasceram de Maria. Essa é, pelo menos, a explicação mais natural. Mateus 13.55-56 e João 7.3-5, e outros textos também dão essa impressão.

Maria guardava todas essas coisas em seu coração

Naturalmente, Maria não pôde contar a muitos o que lhe havia acontecido. Aos rejeitadores do Senhor, de forma alguma. Mas também a seus parentes, a seus filhos (compare com João 7.5), pelo menos não por muito tempo, e tampouco a muitos daqueles que aprenderam a crer no Senhor. Isso estava na natureza das coisas. Mas é peculiar que Lucas escreva duas vezes que Maria guardava todas essas coisas em seu coração (Lucas 2.19, 51. Isso serve como uma indicação de como o que Lucas relata nos capítulos 1 e 2 foi preservado para o conhecimento da posteridade. Maria se lembrou disso e pôde compartilhar mais tarde.

Mas o fato de Lucas escrever isso, repetidamente, pode levantar a suspeita de que ele mesmo certamente ouviu e registrou essas histórias de Maria, e que ela mesma compartilhou esses eventos com ele. Isso não é impossível. Lucas estava por volta de 60 d.C. prisioneiro com Paulo em Cesareia, Palestina (Atos 21.17; 27.1). Em seu plano de escrever os dois livros, ele teria conduzido a maior pesquisa cuidadosa possível durante aqueles dois anos com qualquer pessoa que pudesse lhe fornecer informações e esclarecimentos, cf. Lucas 1.3.

E se Maria ainda vivesse naquela época, ela seria a primeira a ser considerada, especificamente para o que Lucas 1 e 2 contêm. Ora, Maria podia muito bem ter vivido naquela época. Pois, se ela tivesse cerca de 20 anos no nascimento do Senhor, então ela teria aproximadamente 80 anos durante a estadia de Lucas e o desenrolar da prisão de Paulo em Cesareia. Isso não é de forma alguma impossível (cf. Ana em Lucas 2.37).

Naquela idade, ela também seria perfeitamente capaz de se lembrar do que acontecera com ela, Zacarias e Isabel tantas décadas antes, e do que eles haviam feito, especialmente porque ela teria se lembrado disso continuamente ao longo dos anos. Não podemos ter certeza aqui. No entanto, não se trata de impossibilidades, e as observações de Lucas em 2.19 e 51 certamente teriam um significado especial e, portanto, revelariam um significado muito apropriado.

As fontes e o parentesco de Maria

Com certeza, sabemos de Maria apenas aquilo que a Sagrada Escritura nos comunica a seu respeito. Os relatos dos evangelhos apócrifos contêm diversas coisas sobre ela, mas a maioria delas é lenda ou, em todo caso, não podemos confiar na sua historicidade. Seus pais teriam se chamado Joaquim e Ana, o que pode muito bem ter sido o caso. A comparação de Mateus 27.56; Marcos 15.40; João 19.25 torna provável que Maria tenha tido uma irmã chamada Salomé, que era esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João, embora nesta questão esteja envolvida a interpretação de João 19.25, que é diversa.

Mas João, provavelmente, não está falando de três mulheres ali, como pode parecer, mas de quatro. Então, a irmã da mãe do Senhor ali não é Maria, a esposa de Clopas, mas uma outra mulher, e seu nome não é mencionado. Também seria um tanto estranho – embora não impossível – que duas irmãs tivessem o mesmo nome, a saber, Maria.

Além disso, não sabemos sobre as outras relações familiares de Maria. Isabel era sua parente. Nossa Statenvertaling (tradução holandesa da Bíblia) traduz a palavra grega usada em Lucas 1.36 como “prima”. No entanto, essa palavra original pode ter um significado mais amplo, como já pode ser imediatamente inferido do versículo. Mesmo que “prima” em Lucas 1.36 fosse a tradução correta, não seguiria daí que Maria tivesse que ser descendente da tribo de Levi, como um texto antigo: os Testamentos dos Doze Patriarcas, apresenta a ideia de que Maria era descendente de Levi.

Poderia, então, ser que a mãe de Maria fosse da tribo de Levi, mas seu pai da de Judá. Maria é ainda mencionada na Sagrada Escritura em Atos 1.14, mas então pela última vez. No Novo Testamento, não encontramos nem o menor indício de alguma veneração especial por ela por parte dos apóstolos e dos primeiros cristãos.

A dor de Maria no Calvário e a confiança final

Maria suportou a mais amarga dor quando esteve no Gólgota e viu o Senhor, seu Filho, pendurado na cruz (João 19.26). Então uma espada transpassou sua alma, como Simeão lhe havia anunciado (Lucas 2.35). O que ela deveria pensar então sobre o que lhe fora dito a respeito de seu Filho? Uma densa escuridão deve ter-se estabelecido ao seu redor durante o repouso do Senhor no túmulo. Mas mesmo naquela dor mais agonizante e escuridão mais profunda, ela não perdeu a fé em seu Filho e nas promessas de Deus a ela a respeito dEle.

O Senhor lhe disse: “Mulher, eis aí o teu filho”, referindo-se a João, e a este disse: “Eis aí tua mãe”, e, naquela hora, este discípulo a levou para sua casa (João 19.26-27); e, aparentemente, Maria então se deixou guiar voluntariamente por João. Nuvens e escuridão estavam, então, ao seu redor, em relação ao trono e ao governo de Deus. Mas que fardo ou peso ela deve ter sentido cair de seu coração, e que luz deve ter subitamente penetrado a escuridão para ela quando a notícia de que o Senhor havia ressuscitado chegou até ela, e quando O viu vivo novamente diante de si. Contudo, a Sagrada Escritura não nos comunica nada sobre tudo isso. Ela não coloca Maria em destaque, nem suas percepções, mas sim o Senhor, nosso Salvador, e Suas ações. Nem mesmo sobre sua presença na ascensão do Senhor ela fala, e Maria parece não ter estado presente ali (Atos 1.4-14).

Conclusão: a dupla graça de Maria

Maria é a agraciada e a bendita entre as mulheres, isto é, acima de todas as mulheres.

Nenhuma mulher recebeu de Deus honra tão elevada quanto ela. Ela teve o privilégio de se tornar a mãe do Salvador do mundo, o Filho de Deus.

E por isso todas as gerações de homens a chamam bem-aventurada, até o fim da terra, sim, podemos bem dizer, por toda a eternidade.

Mas a mais alta graça de Deus para ela é, contudo, que seu espírito pôde alegrar-se em Deus como seu Salvador, e que ela recebeu de Deus, em seu Filho, também seu próprio Propiciador, Conservador, Redentor do pecado e da perdição eterna, o Conquistador de vida, justiça, santidade e glória para ela, na eternidade.


Informações sobre a Tradução: A presente publicação consiste em uma tradução livre integral.

GREIJDANUS, Seakle. Maria, de moeder des Heeren. Kampen: J. H. Kok, 1939.

O conteúdo e as interpretações expressas neste material são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es) e não refletem, necessariamente, a visão ou o posicionamento editorial da Editora Via Continental.

Nota Editorial (para Publicação Web): Para esta publicação online, alguns títulos de seção (tópicos) e as imagens foram inseridos pelo editor com o objetivo de otimizar a leitura e a experiência visual do usuário. O texto bíblico utilizado é da Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA).


Notas:


  1. O original menciona Salmos 139.7 e 9 como referência, porém a paráfrase apresentada corresponde tematicamente a Salmos 139.13–16 na ARA (formação no ventre e ‘substância ainda informe’). Para preservar o sentido teológico visado pelo autor, citamos Sl 139.13–16 na tradução, mantendo o registro desta discrepância entre a referência indicada e o trecho efetivamente parafraseado. [N. do E.] ↩︎
  2. Em Atos 2.30, o original holandês cita uma formulação mais literal da promessa davídica (cf. tradições que vertem: ‘do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo para o pôr no seu trono’), em contraste com a redação da ARA, que expressa o mesmo sentido de forma mais concisa. [N. do E.] ↩︎
  3. “Davidide”, no original holandês, é um termo técnico que designa um descendente da linhagem do rei Davi. O autor reforça essa ideia com duas expressões paralelas: “geene vleeschelijke afstammelinge van David” (“nenhuma descendente segundo a carne de Davi”) e “niet zelve uit Davids geslacht geboren” (“não nascida da própria linhagem de Davi”). Para maior clareza em português, optou-se por verter o conceito como “descendente de Davi”, explicitando-o por meio da expressão bíblica “segundo a carne” e preservando o efeito cumulativo do original em forma de aposição, em vez do termo técnico pouco usual “Davidide”. [N. do E.] ↩︎
  4. O original remete a João 1.48; contudo, a frase ‘Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?’ corresponde, na ARA, a João 1.46. A referência foi, portanto, ajustada para refletir a numeração e a redação da ARA. [N. do E.] ↩︎
  5. O autor faz uma análise detalhada do termo grego “kataluma” (κατάλυμα), que pode se referir a hospedaria, alojamento ou sala de jantar. [N. do E.] ↩︎
  6. O original cita Hebreus 11.7 ao tratar do termo ‘unigênito’ (eniggeborene). Contudo, na ARA, a referência explícita a Isaque como ‘unigênito’ encontra-se em Hebreus 11.17. Por isso, a citação foi ajustada para refletir a redação da ARA. [N. do E.] ↩︎

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