Quando neste livro discorremos sobre a aliança como um relacionamento vivo com Deus, é imperativo que compreendamos que somente Deus estabelece tal vínculo. Essa é uma questão que emana da soberania e onipotência divinas. É verdade que, de nossa parte, devemos responder ao chamado eficaz de Deus, e que, nesse relacionamento, nossa responsabilidade é considerável; contudo, por nós mesmos, somos incapazes de estabelecer a aliança. Esta é uma prerrogativa exclusiva de Deus.
Em todo relacionamento, alguém precisa tomar a iniciativa. Às vezes, é certo que as relações humanas podem “acontecer” de forma quase natural, por meio de atração mútua, e pouco importa quem tomou a iniciativa. No caso da aliança de Deus, porém, essa é uma questão crucial, pois a Bíblia nos ensina que jamais buscaríamos um relacionamento com Ele. Por nós mesmos, somos insensíveis às coisas espirituais (1 Coríntios 2.14), mortos em transgressões e pecados (Efésios 2.1), inimigos de Deus (Romanos 5.10), e incapazes de ir ao Pai, a menos que sejamos atraídos por Cristo (João 6.44).
Se fosse de nossa incumbência alcançar a Deus, a aliança jamais se concretizaria, pois, por natureza, iríamos a qualquer lugar, exceto a Ele. Quando o Senhor olha do céu para ver se há alguém que o busca, Ele precisa concluir: “Todos se extraviaram… não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Salmo 14.3, citado extensivamente por Paulo em Romanos 3; veja também Salmo 53). Mas o SENHOR Deus, em seu poder e graça soberanos, desce a nós e estabelece este notável vínculo, denominado aliança.
Por vezes, a verdade do relacionamento pactual é expressa da seguinte maneira: a aliança é unilateral em sua origem, mas bilateral em sua existência. Isso significa, simplesmente, que a aliança se origina pela iniciativa de Deus e que, subsequentemente, é aceita e honrada por nós.
Já apresentamos algumas razões pelas quais essa distinção é importante. Nos tópicos seguintes, as aprofundaremos.