Texto: Domingo 45.
Leitura: Lucas 11.1-13
Salmo 26.8; Salmo 26.12; Salmo 141.1, 2, 3, 9; Salmo 27.5; Salmo 145.6.
Amados no Senhor Jesus Cristo,
Começamos esta noite com os domingos que tratam da oração; e nas próximas semanas, pregar-se-á regularmente sobre isso.
Isso já é, de imediato, algo sobre o qual devemos refletir: que se pregue sobre a oração. Será que isso é realmente possível? Um sermão sobre a oração não é contrário à natureza da oração?
Pois todos vocês sabem o que é orar. Orar é derramar a alma perante o Senhor. Orar é aquela atividade primeiríssima, a mais íntima de nossa vida. Quem ora, entra na mais íntima comunhão com seu Deus. Se alguém ora de verdade, toda a sua alma se comove; então, vem a Deus para esvaziar sua alma diante d’Ele.
Mas agora, aí está o Catecismo, e ele quer discorrer longamente sobre a oração. E agora, aí vem um pastor para falar intelectualmente sobre esta terna obra do coração. Será que esse falar intelectual sobre a oração não destrói tudo? De tal forma que, em breve, talvez saibamos fazer um belo relatório sobre a oração, mas não saibamos mais orar, porque nosso intelecto crítico, nosso pensamento que tudo analisa, atacou o nervo da própria oração e, com isso, assassinou a oração verdadeira?
Vocês se lembram dos seus anos de escola. Tinham uma flor magnífica, que precisavam dissecar e classificar. E com uma pinça, nós desfazíamos tal flor em pedaços. Quando terminávamos, sabíamos precisamente tudo sobre estames e pistilo, havíamos separado o cálice da flor; e podíamos então dizer: “É assim que ela é constituída”. Mas, embora soubéssemos tudo sobre como ela era constituída, jamais conseguíamos ter a flor de volta e montá-la novamente. Tínhamos diante de nós alguns restos lastimáveis, algumas fibras esgarçadas; mas não tínhamos mais uma flor que florescia e perfumava e encantava pela suntuosidade de suas formas e riqueza de cores. A própria flor havia desaparecido na dissecação.
Mas não ameaça agora o mesmo perigo com a oração? Que o Catecismo e o pastor que prega sobre isso dissequem tudo de forma muito intelectual e perspicaz, mas a própria oração morra? Que nós, fria e criticamente, esmiucemos tudo, mas o incenso da oração não perfume mais a nossa vida?