Categoria | Teologia

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A aliança de amor: Prefácio e Introdução

A aliança de amor: explorando nosso relacionamento com Deus

Klass Stam | VDM
21/10/2025

Prefácio

Para celebrar o meu vigésimo quinto aniversário no ministério do Evangelho, o Conselho e a congregação da Cornerstone Canadian Reformed Church, em Hamilton, Ontário, concederam-me uma licença ou sabático de 1º de janeiro de 1998 a 30 de junho de 1998.

Este período foi destinado ao relaxamento, à renovação física e espiritual, e ao trabalho em um projeto que pudesse beneficiar a congregação e as igrejas em geral.

Em consulta com o Conselho, decidiu-se trabalhar em um manuscrito que aborda a aliança de Deus conforme revelada nas Escrituras. A linha da aliança sempre foi enfatizada em meu ministério de pregação. Contudo, em nossos dias, a doutrina é frequentemente atacada, mal compreendida ou deturpada, e sentiu-se que um estudo sobre o tema seria desejável.

Aqueles que tiveram a experiência de um sabático sabem como é difícil, a princípio, entrar em um novo ritmo de vida e se concentrar em uma única tarefa. É necessário encorajamento para usar o tempo de forma eficiente, pois ele passa rápido. Os membros da congregação e do Conselho da igreja Cornerstone demonstraram interesse constante e deram o apoio necessário.

Desejo agradecer à minha esposa e filhos, que suportaram a minha presença em casa durante o sabático. É uma mudança bastante impactante na rotina de todos quando um pai frequentemente ausente está subitamente sempre presente, especialmente durante as noites, quando normalmente ministra aulas e participa de reuniões. No entanto, todos nós conseguimos nos adaptar.

A Dra. F. G. Oosterhoff, de Hamilton, novamente atuou como minha editora, e aprecio imensamente o trabalho dela. Agradecimentos também são devidos a Steve Bremer, de Hamilton, Tracy Ravensbergen, de Smithville, e ao Dr. William Helder, de Hamilton, pela ajuda na conclusão do projeto.

Por fim, desejo agradecer à congregação Cornerstone por me conceder este sabático, que chegou em um momento oportuno para mim. Sei que, como congregação, vocês tiveram que fazer sacrifícios, e jamais esquecerei a bondade de vocês. Que o Senhor conceda força e vigor contínuos para o trabalho persistente no ministério da Palavra.

Stoney Creek, junho de 1998.

Introdução

“Hoje, fizeste o SENHOR declarar que te será por Deus, e que andarás nos seus caminhos, e guardarás os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e darás ouvidos à sua voz. E o SENHOR, hoje, te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos.” (Deuteronômio 26.17, 18)

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2.9)

“…não pertenço a mim mesmo, mas pertenço, de corpo e alma, tanto na vida quanto na morte, ao meu fiel Salvador Jesus Cristo.” (Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 1)

Não se pode capturar as riquezas da Bíblia em uma única palavra. No entanto, se uma palavra merece consideração como um conceito-chave nas Escrituras Sagradas, é a palavra “aliança”. Com este termo, refiro-me a toda a revelação da aliança que Deus, em seu amor, estabelece e mantém com seus filhos. Ao longo das Escrituras, o tema da fidelidade pactual de Deus se repete como um tema dominante. Onde estaríamos hoje se Deus, em sua graça, não tivesse feito uma aliança conosco, uma que agora, por meio de Cristo, é chamada de nova aliança em seu sangue?

Deus se revela, do começo ao fim, na Bíblia como o Deus da aliança. É por meio de uma aliança que ele vem até nós e entra em um relacionamento conosco. É dentro da estrutura dessa aliança que ele lida conosco. As bênçãos materiais e espirituais que nos alcançam são recebidas em virtude da aliança. Isso é verdade tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Infelizmente, muitos hoje desconhecem a centralidade da aliança. E alguns dos que a conhecem passaram a questionar ou rejeitar sua relevância. O propósito deste livro é delinear a história da aliança, mostrar seu caráter e significado, e focar nas riquezas que Deus nos dá nela por meio de Jesus Cristo.

Diversos pontos importantes se destacam. No princípio, Deus fez sua aliança com a humanidade. Ele a continuou, após a queda do homem no pecado, com aqueles que o temiam (Salmos 103.17). Ele deu a promessa do Messias, que asseguraria a aliança para sempre por seu único sacrifício na cruz. (Isaías 42.6: “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios”). Este Messias nasceu de Israel e cumpriu todas as exigências de Deus em nosso lugar. Pelo derramamento de seu sangue na cruz do Gólgota, ele confirmou a nova e eterna aliança. O evangelho da salvação por meio dele está sendo agora pregado por todo o mundo, e todos os que nele creem são enxertados na nova aliança.

Neste livro, enfatiza-se que a aliança não é um contrato, mas um relacionamento vivo. Como lemos em Deuteronômio 26, o SENHOR é nosso Deus e nós somos seu povo, sua possessão preciosa. Podemos dizer com confiança que pertencemos a ele (1 Pedro 2). Isso é para nós um imenso consolo, que confessamos no credo da igreja: “pertenço… ao meu fiel Salvador Jesus Cristo” (Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 1).

Com o tempo, à medida que a autorrevelação de Deus se desenrola, a aliança se torna mais rica e o relacionamento entre Deus e seus filhos se fortalece. Isso é especialmente verdadeiro na nova aliança, depois que Cristo ressuscitou dos mortos, ascendeu ao céu e derramou o Espírito Santo sobre a igreja. Nós, hoje, vivemos nos últimos dias, quando todos os cristãos podem compartilhar da unção de Cristo (1 João 2.20; Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 12, Pergunta 32).

Hoje, as pessoas frequentemente carecem de um senso de pertencimento e buscam o significado da vida. Muitos estão à deriva, sem saber de onde vêm e para onde vão. Há muita solidão e medo. Mas aqueles que conhecem a aliança de Deus em Cristo são assegurados de seu amor, pertencem a ele e ao seu povo, e sabem que têm um lugar e uma tarefa na vida e na comunhão dos santos. Isso os capacita a enfrentar os desafios da vida.

Este livro não promove a ideia de que todo aquele que pertence ao povo de Deus é automaticamente salvo. Isso seria uma caricatura do Evangelho. Pelo contrário, a posição apresentada e explicada é que a aliança é um relacionamento de trabalho. Ela pode ser quebrada pela desobediência e pela falta de arrependimento. Somos salvos pela fé, mediante a graça, e essa fé deve ser evidente em obras.

No entanto, o livro não é antropocêntrico, embora trate extensivamente da responsabilidade humana. Na aliança, sempre começamos com as promessas de Deus. Tudo o que realizamos é feito por meio de Cristo e pelo Espírito Santo. Portanto, na vida de um filho da aliança, toda a glória é para Deus. Na aliança, celebramos o triunfo da graça em Jesus Cristo. O ensino pactual conduz ao soli Deo gloria da Reforma.

A Bíblia nos diz que a aliança é uma questão do grande amor de Deus. Ele não é obrigado a entrar em um relacionamento conosco. Mas ele o fez desde o tempo da criação. Ele manteve a aliança através dos séculos, dando seu Filho unigênito (João 3.16), “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

As Sagradas Escrituras ensinam que a aliança é feita com os crentes e sua descendência. Este é um ensino bíblico consistente, que tem grandes consequências e nos proporciona muito consolo. Podemos nos alegrar porque Deus é o Deus das gerações que o amam e guardam seus mandamentos. Examinaremos o que isso significa para nós em nossa vida diária.

Devemos também falar sobre esta aliança a outros. A igreja tem um mandato missionário e deve ser ativa em relação ao chamado para proclamar o evangelho a outros e compartilhá-lo com eles, para que eles também possam ser enxertados pela fé nesta aliança de amor. Que o Senhor nos dê um espírito de propósito e de unidade entre nós, enquanto seguimos a Cristo Jesus, para que, com um só coração e uma só boca, possamos glorificar a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos 15.5-6).

Neste livro, então, quero explorar as riquezas do relacionamento com Deus que temos na aliança de amor. Como este é o coração da pregação do Evangelho, em nosso tempo a aliança deve receber atenção renovada e apreciação aprofundada.

Clarence Stam, Stoney Creek, julho de 1998.


Informações sobre a Tradução: A presente publicação consiste em uma tradução livre integral.

STAM, Clarence. The Covenant of Love: Exploring our Relationship with God. Winnipeg [A Aliança de Amor: Explorando nosso relacionamento com Deus]: Premier Publishing, 1999.

O conteúdo e as interpretações expressas neste material são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es) e não refletem, necessariamente, a visão ou o posicionamento editorial da Editora Via Continental.

Nota Editorial (para Publicação Web): Para esta publicação online, alguns títulos de seção (tópicos) e as imagens foram inseridos pelo editor com o objetivo de otimizar a leitura e a experiência visual do usuário. O texto bíblico utilizado é da Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA).

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